Toda empresa deseja simplificar seus processos e otimizar custos. E uma grande aliada para isso é a tecnologia low code, que permite a criação de aplicativos rapidamente, componentes de “arrastar e soltar” (drag and drop) e pouca programação manual, agilizando o desenvolvimento de software.
Conforme o relatório do Fortune Business Insights, o mercado global de plataformas de desenvolvimento low code deve alcançar mais de U$S 264 bilhões até 2032, prova que companhias ao redor do mundo têm se apropriado para dinamizar o processo de desenvolvimento de software.
No artigo a seguir, trazemos mais detalhes sobre a abordagem low code e as vantagens que ela traz para a sua empresa.
O que significa low-code?
É uma forma de desenvolvimento de softwares e aplicativos mais intuitiva, com funcionalidades integradas com menos código que linguagem de programação tradicional. O low code define um paradigma de desenvolvimento de software que prioriza a abstração técnica em favor da eficiência operacional.
Com as plataformas low code (LCPD), é possível fazer uma modelagem mais visual de uma modo prático por meio da função drag and drop (arraste e solte), por exemplo, onde as tarefas mais comuns no desenvolvimento de softwares são realizadas com facilidade.
No contexto da transformação digital, o low code atua como um catalisador para o desenvolvimento ágil. Ele permite que as empresas respondam rapidamente às demandas do mercado, entregando MVPs (Produtos Mínimos Viáveis) e soluções robustas com maior velocidade (Time to Market).
Assim, o desenvolvimento de aplicativos se torna mais simples, rápido e exige menos esforço. O que resulta em menor tempo de execução e redução de custos, sem comprometer a qualidade dos projetos.
Qual a diferença entre low-code e no-code?
Apesar de ambos tornarem o acesso ao desenvolvimento mais fácil, o low code requer um mínimo de conhecimento em linguagens de programação, sendo mais direcionado para desenvolvedores. Ao contrário do desenvolvimento tradicional, que exige a escrita manual de cada linha de código, o low code automatiza a infraestrutura básica, mas permite a inserção de scripts customizados para regras de negócio complexas.
Por outro lado, o no code remove completamente a barreira da sintaxe de programação, oferecendo uma interface puramente visual e declarativa. É a ferramenta ideal para o citizen developer (desenvolvedor cidadão) que precisa solucionar problemas de negócio sem depender da fila de espera da TI.
O no code possui uma interface mais amigável e menos exigente no que diz respeito a conhecimento técnico, tornando-o mais indicado para o desenvolvimento pelos próprios usuários.
Quais são os benefícios de utilizar Low Code?
O principal objetivo do low code é permitir que o desenvolvimento de soluções digitais seja simples e acessível. Logo, seus benefícios variam desde a uma interface amigável a uma grande flexibilidade de uso.
Além disso, o low code também possibilita que os citizen developers criem sistemas sem codificar, contando com a ajuda de profissionais apenas em situações específicas, de acordo com Rafael Bortolini, head de gestão de produtos da Zeev.
A seguir, as principais vantagens de usar low code.
Eficiência operacional e produtividade
A partir de ferramentas de gerenciamento de tarefas, fluxos de trabalho e outros recursos, ajuda a potencializar os processos e, por consequência, amplia a produtividade.
Além disso, por utilizar modelos e padrões visuais pré-definidos e automação de processos, reduz a necessidade de codificação manual (que é mais suscetível a falhas).
Além disso, suas ferramentas visuais facilitam a detecção de inconsistências e problemas durante o desenvolvimento, levando a uma correção antecipada de erros.
Agilidade e time to market
Com uma ampla biblioteca de modelos e módulos personalizáveis, permite a criação de aplicações de forma rápida, quase que imediata. Ideal para o desenvolvimento de protótipos e MVPs (Produtos Minimamente Viáveis) funcionais para análises e testes.
O low code permite a remoção, inserção e alteração de peças de forma mais simples e ágil, sem a necessidade de codificações complexas e também possibilita aos desenvolvedores focar em atividades mais complexas nos processos de desenvolvimento, deixando as atividades mais simples para o low code.
Com a funcionalidade arraste e solte (drag and drop), a necessidade de digitar códigos é reduzida e é possível criar e editar aplicações rapidamente, além de tornar a dinâmica de criação e teste de aplicações mais ágil.
Autonomia e personalização
As aplicações Low Code são fáceis de lidar, permitindo que mesmo pessoas com menor nível de conhecimento em programação tenham autonomia na criação e edição de aplicações simples.
Essa autonomia de desenvolvimento desonera as equipes de TI que não precisam ter todas as demandas concentradas em seu setor.
Por meio de um processo simplificado, possibilita que qualquer colaborador faça alterações e personalize as camadas externas de sistemas no aplicativo. Isso é essencial para negócios que utilizam sistemas de gestão integrados.
Impacto financeiro e escalabilidade
Com o tempo e os processos de desenvolvimento otimizados pela agilidade do low code, gera redução de custos relacionados à manutenção e a sobrecarga do time de TI. Além disso, abre espaço para testar novas ideias propostas por qualquer departamento sem onerar o orçamento.
Em geral, estes tipos de plataformas possuem banco de dados próprios e são facilmente adaptáveis aos ciclos, sejam de crescimento ou mudança das empresas. Tornando simples e eficiente o processo de escalabilidade.
Experiência do usuário e segurança
Com workflows responsivos e atualizados, proporciona melhor experiência a partir do próprio feedback dos clientes, aumentando as chances de fidelização do usuário e o desenvolvimento de pesquisas e atendimentos mais personalizados.
Ao permitir que as empresas façam internamente tarefas de desenvolvimento confidenciais que não podem ser terceirizadas, ajuda a reduzir os riscos de violações de dados e crimes cibernéticos.
Quais aplicações podem ser criadas com low code?
As aplicações criadas com low code variam desde automações departamentais simples até sistemas robustos de nível empresarial. Graças à capacidade de integração via APIs e à flexibilidade de inserir código customizado, essas plataformas são ideais para resolver o “buraco” entre softwares de prateleira (que são rígidos) e o desenvolvimento tradicional (que é lento), como citamos a seguir.
Automação de Processos de Negócio (BPA)
É o uso mais comum, focado em substituir planilhas manuais e e-mails por fluxos de trabalho estruturados. Exemplos: sistemas de solicitações de compras, reembolsos de despesas ou pedidos de férias, apps para controle de estoque, rastreamento de entregas e logística em tempo real, entre outros.
Experiência do Cliente (CX)
Aplicações que criam um ponto de contato direto e personalizado com o consumidor final. Exemplos: portais de autoatendimento, apps de varejo com cupons, histórico de compras e notificações push, e sistemas de agendamento (portais para clínicas médicas, escolas ou serviços de consultoria).
Operações e Eficiência Interna
Ferramentas que resolvem gargalos operacionais específicos de cada setor. Exemplos: dashboards de Business Intelligence (BI), criação de novas interfaces amigáveis (front-ends) para sistemas antigos e pesados que a empresa não pode substituir de imediato e sistemas de vendas ou acompanhamento de obras adaptados às regras da empresa.
Prototipagem e Inovação
Ideal para validar ideias antes de investir em um desenvolvimento de alta complexidade. Exemplos: MVPs (Produtos Mínimos Viáveis) e apps para eventos, com ferramentas temporárias para conferências, com agenda, mapas e interação entre participantes.
Qual é a história por detrás do low code?
O termo low-code foi mencionado pela primeira vez em 2014 pela Forrester Research para descrever plataformas que ofereciam simplicidade de uso na criação de aplicativos.
No entanto, a origem do termo sucede apenas softwares e conceitos que já existiam bem antes, como o da metodologia Rapid Application Development (RAD, grupo de programas simples que permitia aos usuários montar aplicações de desktop visualmente), existente desde os anos 1980.
O objetivo era romper com o desenvolvimento linear e rígido da época, permitindo que usuários montassem aplicações desktop de forma visual através de componentes modulares. Ferramentas pioneiras já utilizavam interfaces gráficas para reduzir a dependência da escrita manual de código.
A arquitetura baseada em modelos e plataformas móveis surgiu na década de 2000, já que, à época, o desafio era a necessidade de criar softwares complexos em ciclos cada vez mais curtos. E as primeiras plataformas de desenvolvimento de low code ganharam popularidade nos anos 2010.
A partir de 2014, o mercado reconheceu o low code como uma categoria estratégica para a transformação digital. O foco deixou de ser apenas a “facilidade” e passou a ser a escalabilidade e velocidade.
Quais são os recursos comuns do low code?
Existem alguns recursos do low code que são comumente usados, tais como a interface de arrastar e soltar, modelagem visual, entre outros, com a intenção de permitir a criação de soluções digitais.
A seguir, detalhes sobre cada um deles.
Interface de arrastar e soltar
Permite que usuários corporativos criem aplicativos rapidamente e acelerem o tempo de comercialização. Essa funcionalidade diminui bastante a quantidade de código que precisa ser digitado fisicamente.
Modelagem visual
Por meio da modelagem visual, há a construção de telas e fluxos através de blocos visuais, tornando o processo mais fluído e acessível, pois são apresentados os elementos básicos que podem desenvolver rapidamente aplicações e soluções.
Funcionalidade pronta para uso
Plataformas low code são capazes de começar a desenvolver soluções imediatamente. Em relação às práticas tradicionais de codificação, a configuração e o treinamento são mínimos.
Mobilidade de aplicações
As ferramentas low code foram projetadas para ser usadas e acessadas em vários dispositivos, bem como implantar aplicações em qualquer ferramenta (desktops, tablets e dispositivos móveis) sem alterações no design.
Quais são alguns exemplos de empresas que usam low code?
Empresas no Brasil e no mundo têm utilizado low code para acelerar o desenvolvimento de produtos e otimizar tarefas. Em geral, são previstos ganhos de produtividade e menor tempo de desenvolvimento de soluções, como exemplificado abaixo.
Petrobras
A Petrobras escolheu a plataforma de low code da OutSystems para modernizar suas aplicações em 2021, com o intuito de desenvolver aplicações em missão crítica em low-code para melhorar processos e implementar soluções mais rapidamente, com tempo de desenvolvimento reduzido.
Como resultado, houve aumento de 60% na produtividade, retorno de investimento 15% maior e tempo de lançamento de aplicações para menos de um ano.
Bmg
A empresa do setor bancário passou a utilizar automação via low code para identificar, mapear e otimizar diversos processos, que não possuíam estrutura definida nem padrão na automação.
Graças ao uso de low code, o SLA (service level agreement, nível de entrega de serviços, em português), foi otimizado em 80% e o retorno de investimento sete vezes maior.
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Perguntas frequentes sobre low code
A seguir, as principais perguntas sobre o tema low code.
O que é high code e low code?
High code é o desenvolvimento tradicional, onde programadores escrevem manualmente cada linha de código. Low code é uma abordagem visual que utiliza templates e componentes pré-construídos, exigindo pouco ou nenhum código para criar aplicativos rapidamente.
N8n é low code?
Sim, o n8n é uma plataforma de automação low code. Isso significa que ele permite criar fluxos de trabalho complexos e integrar aplicativos usando uma interface visual (arrastar e soltar), reduzindo significativamente a necessidade de escrever código tradicional, embora permita o uso de código quando necessário.
Low code é seguro?
Sim, o low-code é seguro e pode ser tão robusto quanto o desenvolvimento tradicional, desde que a plataforma escolhida seja confiável e as melhores práticas de governança sejam seguidas.
Quem pode usar plataformas low code?
Plataformas low code podem ser utilizadas por qualquer pessoa, desde usuários de negócios (citizen developers) sem conhecimento técnico até desenvolvedores experientes.
Qual a diferença entre desenvolvimento tradicional e low code?
O desenvolvimento low code utiliza interfaces visuais e componentes pré-construídos para criar aplicações rapidamente com pouca codificação manual. Já o desenvolvimento tradicional exige escrita manual de código (pro code), oferecendo personalização total e escalabilidade para sistemas complexos e robustos.
Dá para emitir nota fiscal com low code?
Sim, é possível emitir notas fiscais utilizando ferramentas low code. Essas plataformas permitem criar sistemas personalizados para cadastrar clientes, serviços e produtos, calcular impostos e comunicar-se com as prefeituras ou SEFAZ via API.